Domingo, Abril 11, 2004
TORTURA
Os Estados Unidos recorrem agora correntemente à tortura na chamada guerra contra o terrorismo. Esta prática, apresentada antes como marginal, é hoje reivindicada por militares e altos funcionários da administração Bush.
A derrapagem começou hipocritamente com a encomenda dos interrogatórios de "presumíveis terroristas" a ditaduras amigas. Este sistema de encomendas levou, no Afeganistão, à morte de várias centenas de prisioneiros.
Depois, o próprio exército dos Estados Unidos recorreu à tortura, fora do seu território, de maneira já não dissimulada. Em Bagram, as Forças Especiais praticaram-na sistematicamente. Num artigo de primeira página, o Washington Post descreveu os centros de interrogatório da CIA, onde "prisioneiros da Al Qaeda" são torturados.
O particular estatuto jurídico da base de Guantânamo serviu logo de laboratório para o uso assumido desta prática. Alguns analistas explicaram que se encontra em território cubano e não é possível, portanto, aplicar lá as leis estado-unidenses.
Se a utilização não dissimulada da tortura começou fora do território dos Estados Unidos, ela está a entrar aí a passos largos. Vários milhares de pessoas foram presas desde 11 de Setembro de 2001 e mantidas no segredo, fora de qualquer quadro legal. O departamento da Justiça, que procede, neste momento, ao registo, em ficheiro por nomes, de todos os muçulmanos praticantes dos Estados Unidos, empreendeu a construção de 600 campos de internamento para uma utilização desconhecida.
O artigo que se encontra no "Resistir", foi publicado a 05/Mar/03 no Washington Times . O autor, Jack Wheeler, redactor do sítio TothePointNews.com , é presidente-fundador da Freedom Research Foundation, associação que serviu de cobertura à CIA para recrutar mercenários e apoiar guerrilhas anti-comunistas, nos anos 80. Wheeler, que colabora desde há muito com o grupo Moon, é frequentemente apresentado como inspirador da "doutrina Reagan" de ataque sistemático à URSS. E ministrou cursos de tortura para militares latino-americanos na School of Americas de Fort Benning, Georgia. Neste artigo ele preconiza o restabelecimento da tortura na guerra contra o terrorismo.
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Os Estados Unidos recorrem agora correntemente à tortura na chamada guerra contra o terrorismo. Esta prática, apresentada antes como marginal, é hoje reivindicada por militares e altos funcionários da administração Bush.
A derrapagem começou hipocritamente com a encomenda dos interrogatórios de "presumíveis terroristas" a ditaduras amigas. Este sistema de encomendas levou, no Afeganistão, à morte de várias centenas de prisioneiros.
Depois, o próprio exército dos Estados Unidos recorreu à tortura, fora do seu território, de maneira já não dissimulada. Em Bagram, as Forças Especiais praticaram-na sistematicamente. Num artigo de primeira página, o Washington Post descreveu os centros de interrogatório da CIA, onde "prisioneiros da Al Qaeda" são torturados.
O particular estatuto jurídico da base de Guantânamo serviu logo de laboratório para o uso assumido desta prática. Alguns analistas explicaram que se encontra em território cubano e não é possível, portanto, aplicar lá as leis estado-unidenses.
Se a utilização não dissimulada da tortura começou fora do território dos Estados Unidos, ela está a entrar aí a passos largos. Vários milhares de pessoas foram presas desde 11 de Setembro de 2001 e mantidas no segredo, fora de qualquer quadro legal. O departamento da Justiça, que procede, neste momento, ao registo, em ficheiro por nomes, de todos os muçulmanos praticantes dos Estados Unidos, empreendeu a construção de 600 campos de internamento para uma utilização desconhecida.
O artigo que se encontra no "Resistir", foi publicado a 05/Mar/03 no Washington Times . O autor, Jack Wheeler, redactor do sítio TothePointNews.com , é presidente-fundador da Freedom Research Foundation, associação que serviu de cobertura à CIA para recrutar mercenários e apoiar guerrilhas anti-comunistas, nos anos 80. Wheeler, que colabora desde há muito com o grupo Moon, é frequentemente apresentado como inspirador da "doutrina Reagan" de ataque sistemático à URSS. E ministrou cursos de tortura para militares latino-americanos na School of Americas de Fort Benning, Georgia. Neste artigo ele preconiza o restabelecimento da tortura na guerra contra o terrorismo.
Sábado, Abril 10, 2004
AINDA SARAMAGO
A polémica em torno do último livro de Saramago e da alegada defesa - que o autor desmente - do voto em branco, promete continuar a fazer correr rios de tinta e a dar à estampa verdadeiras pérolas da verborreia nacional. A exemplo do que sucedeu no passado - como daquela vez em que o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetou a candidatura do livro «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» a um prémio europeu por o considerar, sem ter lido, um atentado «contra a moral cristã dos portugueses» -, a exemplo disso, repete-se, assiste-se hoje à reprodução insistente do «diz que diz» sem se cuidar de apurar, directamente, o que é que é dito e em que contexto é dito o que se diz.
A questão não é nova nem é inocente. Lembremo-nos, por exemplo, da controvérsia sobre a ditadura do proletariado, apontada até à exaustão como prova provada dos maléficos desígnios do PCP, sem nunca se explicar, por manifesta má fé ou pura ignorância, o significado político do conceito e o alcance profundo do conceito de justiça nele contido enquanto expressão de poder da maioria libertada da exploração. Ou então a pretensa oposição do PCP à propriedade privada, apontada em todo o lado como se de uma verdade absoluta se tratasse, sem nunca um único dos múltiplos comentadores e especialistas encartados se ter dado ao trabalho de completar a frase, arrancada à má fé dos documentos oficiais, explicitando que o princípio defendido se aplicava aos principais meios de produção.
Outros, muitos outros exemplos podiam ser apontados, mas nem sequer vale a pena. O que importa, hoje como sempre, é arranjar um pretexto para zurzir no PCP. Pouco importa se a obra de Saramago coloca ou deixa de colocar questões sobre a democracia e o desvirtuamento dela; ou se a metáfora contida no romance tem diferentes interpretações; ou se... O que importa é que, como cães a um osso, salvo seja, gregos e troianos aproveitaram a dádiva que lhes caiu no colo com o lançamento desta obra polémica para de imediato a transformarem numa arma de arremesso contra o PCP.
Não consta que as propostas comunistas ao eleitorado, que nada têm a ver com romances mas têm tudo a ver com a crua realidade, mereçam das plumitivas criaturas qualquer ensaio lúcido e honesto. Compreende-se. Se optassem por esse caminho, ver-se-iam forçados a informar que a mensagem do PCP ao eleitorado é para que vote e eleja mais comunistas, mostrando ao Governo não o cartão amarelo mas o cartão vermelho.
Anabela Fino (Avante 8-04-04)
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A polémica em torno do último livro de Saramago e da alegada defesa - que o autor desmente - do voto em branco, promete continuar a fazer correr rios de tinta e a dar à estampa verdadeiras pérolas da verborreia nacional. A exemplo do que sucedeu no passado - como daquela vez em que o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetou a candidatura do livro «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» a um prémio europeu por o considerar, sem ter lido, um atentado «contra a moral cristã dos portugueses» -, a exemplo disso, repete-se, assiste-se hoje à reprodução insistente do «diz que diz» sem se cuidar de apurar, directamente, o que é que é dito e em que contexto é dito o que se diz.
A questão não é nova nem é inocente. Lembremo-nos, por exemplo, da controvérsia sobre a ditadura do proletariado, apontada até à exaustão como prova provada dos maléficos desígnios do PCP, sem nunca se explicar, por manifesta má fé ou pura ignorância, o significado político do conceito e o alcance profundo do conceito de justiça nele contido enquanto expressão de poder da maioria libertada da exploração. Ou então a pretensa oposição do PCP à propriedade privada, apontada em todo o lado como se de uma verdade absoluta se tratasse, sem nunca um único dos múltiplos comentadores e especialistas encartados se ter dado ao trabalho de completar a frase, arrancada à má fé dos documentos oficiais, explicitando que o princípio defendido se aplicava aos principais meios de produção.
Outros, muitos outros exemplos podiam ser apontados, mas nem sequer vale a pena. O que importa, hoje como sempre, é arranjar um pretexto para zurzir no PCP. Pouco importa se a obra de Saramago coloca ou deixa de colocar questões sobre a democracia e o desvirtuamento dela; ou se a metáfora contida no romance tem diferentes interpretações; ou se... O que importa é que, como cães a um osso, salvo seja, gregos e troianos aproveitaram a dádiva que lhes caiu no colo com o lançamento desta obra polémica para de imediato a transformarem numa arma de arremesso contra o PCP.
Não consta que as propostas comunistas ao eleitorado, que nada têm a ver com romances mas têm tudo a ver com a crua realidade, mereçam das plumitivas criaturas qualquer ensaio lúcido e honesto. Compreende-se. Se optassem por esse caminho, ver-se-iam forçados a informar que a mensagem do PCP ao eleitorado é para que vote e eleja mais comunistas, mostrando ao Governo não o cartão amarelo mas o cartão vermelho.
Anabela Fino (Avante 8-04-04)
Sexta-feira, Abril 09, 2004
Na sociedade dos ricos
Forçado pela vaidade
Há quem faz do cu três bicos
P'ra entrar na sociedade
António Aleixo
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Forçado pela vaidade
Há quem faz do cu três bicos
P'ra entrar na sociedade
António Aleixo
O nosso Pantanero nada tem a ver com o homem dos Pantanos do Brasil. Aqui trata-se de uma personagem que se tornou uma lenda para as populações portuguesas da zona raiana. Um guerilheiro, o "Che" espanhol que atravessava de um lado para o outro da raia semeando a justiça e a vingança de classe. É também, um personagem do telefilme A RAIA DOS MEDOS de Francisco Moita Flores.
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